O presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou neste sábado (3) a ação militar conduzida pelos Estados Unidos em território venezuelano, que resultou na detenção do presidente Nicolás Maduro. Em manifestação nas redes sociais, o chefe do Executivo brasileiro afirmou que o uso da força “rompe limites inaceitáveis” e fere princípios básicos do direito internacional.
Sem citar nominalmente o presidente norte-americano, Donald Trump, Lula avaliou que os bombardeios e a retirada de Maduro do país atingem diretamente a soberania da Venezuela e criam um precedente perigoso para a ordem global. Para ele, ataques dessa natureza alimentam um cenário de instabilidade e enfraquecem o multilateralismo.
O presidente também defendeu uma reação firme da Organização das Nações Unidas (ONU) diante do episódio e reiterou a posição do Brasil de buscar soluções diplomáticas. “O país repudia essas ações e permanece disponível para estimular o diálogo e a cooperação”, afirmou.
Embora mantenha histórico de proximidade com o governo venezuelano, Lula vinha adotando postura mais distante após as últimas eleições no país vizinho, que o Brasil não reconheceu em meio a denúncias de irregularidades. Nos últimos meses, o Planalto também intensificou contatos com Washington para discutir tarifas comerciais e sanções, negociações que vinham sendo avaliadas positivamente pela diplomacia brasileira.
Diante do agravamento da crise, o presidente convocou uma reunião ministerial na manhã deste sábado para avaliar os desdobramentos políticos e diplomáticos do ataque.
Operação militar e prisão
Horas antes, Donald Trump anunciou que forças dos Estados Unidos realizaram uma operação de grande escala na Venezuela, culminando na captura de Nicolás Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores, que teriam sido retirados do país por via aérea. O comunicado foi feito pela rede Truth Social.
A ofensiva ocorreu após uma madrugada marcada por explosões em Caracas e em estados como Miranda, Aragua e La Guaira. Segundo relatos locais, alvos estratégicos foram atingidos, incluindo o complexo militar de Fuerte Tiuna, sede do Ministério da Defesa, e a base aérea de La Carlota.
Autoridades venezuelanas afirmaram que os bombardeios alcançaram áreas urbanas e provocaram vítimas civis. O ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, declarou que instalações militares e regiões povoadas foram atingidas por mísseis e foguetes disparados de helicópteros e informou que o governo reúne dados sobre feridos e mortos decorrentes do ataque.

